sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Episódio 1 - Lar doce Lar



Quando nos mudamos, pensávamos que a nossa vida mudaria para melhor, pensávamos em nos adaptar rápido e construir grandes amizades. Nunca nos preparamos para o grandes problemas, pensávamos muito mais em como arrumar os nossos cômodos ou melhor qual cortina ficara mais bonita na sala. Não observamos os buracos ao lado, tudo era evidente, as perturbações eram claras, porem acabamos nos cegando.

- Corra filho

Todas as portas se fecharam em um único tiro, barulhos altos de passos, chaves que tentavam abrir as nossas portas, as idas e vindas consumiram toda a nossa energia. Estávamos acabados e não tínhamos coragem de sair e muito menos de voltar.

- Ed vai para o armário e se esconda, não saia por nada, não saia se eu pedir ajuda, porque não será a mamãe. SERÃO ELES.

- Mãe fica comigo, não vai. Chama o papai ele poderia ajudar a nos proteger.

- Filho todo o dinheiro da mamãe foi para compra dessa casa e não tem como sair daqui tão cedo. Não quero envolver o seu pai nisso, ele ficará preso.

- Mãe porque estamos passando por isso? Nunca fizemos nada com eles, porque?

- Irei descobrir meu filho e sairemos desse prédio maldito.

_____________ 1 mês atrás _____________

O interfone toca e a vizinha do 101 queria dar as boas vindas a família, trazendo uma bela torta de morango. Anna se sentiu muito acolhida e percebeu o mesmo sentimento no seu filho, era como se fosse uma tia e o deixou mais calmo. A vida de Ed ficou realmente desconfortável, precisou deixar alguns amigos, brinquedos, vizinhos e familiares;  estava triste por saber passaria um bom tempo sem eles.

A vizinha é Clara, uma senhora que deve ter os seus setenta anos de idade, tinha um cheiro forte de talco, uma pele branquinha como o algodão, algumas pintas na bochecha e um forte aperto na hora do abraço. Sentou com agente e começamos a ter uma longa conversa.

- Ed se soltou no sofá por causa da barriga cheia da torta de morango. Ela acertou na escolha do sabor. _ Clara quantos anos a senhora mora aqui nesse prédio?

- Nossa seria uma longa, loga história sobre os contos desse lugar, mas vou me limitar a sua pergunta. Moro aqui a setenta anos minha cara.

- Estou admirada, então a senhora nunca se mudou? Significa que o lugar deva ser maravilhoso.

- O rosto de Clara acabou entortando quando Anna faz tal comentário sobre o prédio. _ Anna depois que você mora no prédio 555, não consegue mais sair. 

- Ficou feliz em saber disso, ela não desejava se mudar novamente um bom tempo, obviamente precisarei ficar aqui por longos anos, até conseguir juntar mais uma poupança. 

- Você não é casada? Desculpe a pergunta.

- Eu me divorciei e toda a minha parte foi investida nesse imóvel. Fiquei com a guarda do Ed, esse anjinho na minha vida é bem responsável e não conseguiria viver sem ele, contudo não posso deixar de lado a necessidade de um lugar acolhedor. Ele esta longe do pai e dos seus amigos, precisava de um lugar assim, tranquilo e familiar.

- Parecem ser bem amigos, não é?

- Somos amigos sim, as vezes sinto que ele toma mais conta de mim do que eu dele. Sinto o quanto me protege e me tranquiliza. Para um menino de dez anos, esta muito desenvolvido.

-  Gostei muito do Ed, um menino educado, ótima criação.

- Obrigada, mas me diga, quando eu falei sobre esse lugar ser maravilhoso, você acabou entortando rosto, porque você fez isso?

- Anna pode ficar por uma outra hora? O tempo passou rápido e tenho alguns compromissos inadiáveis. Agradeço o seu carinho e por ter aceitado a minha torta de morango.

- Que nada, eu que tenho de agradecer pela torta. Ed esta la na sala jogado no sofá de barriga cheia, quer se despedir?

- Sim, vou la rapidinho. _ Ed meu anjinho, cuida da sua mãe e não deixa ELES tocarem nela.

- Obrigada pela torta senhora Clara. _ Eu sei do que a senhora esta dizendo e não deixarei ninguém tocar nela. 

CONTINUA ...

Escrito pela autora _  Priscila Gomes