segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Top 5 - Os cinco melhores filmes de terror Nacionais

Olhando para os nossos cinemas, a maioria dos filmes nacionais em cartaz são dramas ou comédias. Mesmo assim, existem cada vez mais diretores experimentando o cinema de gênero, tanto com suspenses que flertam com o sobrenatural, quanto com o terror sanguinário e assustador. A produção nacional está cheia de diretores apaixonados pelas temáticas sombrias...

Começamos os trabalhos com:

5 - O Exercício do Caos (2012)

Este filme maranhense começa como drama, antes de adentrar o terreno sobrenatural. Um pai (Auro Juriciê) vive sozinho com as três filhas desde o desaparecimento da mãe. Enquanto tentam compreender o que aconteceu com esta mulher sumida, eles começam a sofrer com presenças sombrias ao redor da casa, incluindo a visita indesejada de um capataz.

O Exercício do Caos não é para espectador impassível, desses que sentam na poltrona e esperam ser servidos de ideias e opiniões prontas. O longa exige cérebro em funcionamento, mente trabalhando, esforço intelectual. Se houver disposição de quem vê a energia cognitiva não será gasta em vão. E, sei bem disso, não há nada pior do que passar minutos a fio se esforçando para embarcar e compreender uma trama e descobri-la um grande engodo ao final.

4 - . Mar Negro (2013)

Os filmes de terror trash são raríssimos no Brasil, mas o diretor Rodrigo Aragão é um dos raros defensores do gênero. Neste filme, ele faz bom uso do orçamento limitado para contar a história de um vilarejo à beira do mar, contaminado por monstros aquáticos. Como você pode ver pelo trailer abaixo, o cineasta não economiza na quantidade de sangue!

Chamar Mar Negro de apenas um “filme de zumbis” seria uma injustiça, já que nos 105 minutos de metragem guardam bizarrices como monstros marinhos, rituais satânicos, o Necronomicon, vinganças sangrenta e até o próprio capeta!

Walderrama dos Santos, ótimo como sempre, assume o papel de Albino (que já havia aparecido em A Noite do Chupacabras, interpretado por Eduardo Moraes), o tímido funcionário de boteco que é apaixonado por Indiara (Kika Oliveira, estonteante). Ela é casada com o pescador vivido por Marcus Konká, que numa noite de trabalho acaba pegando o monstro conhecido como baiacu-sereia em sua rede.

Segundo Aragão, o filme foi filmado quase que no improviso. A ideia do ataque dos zumbis num bordel, por exemplo, havia sido abandonada por falta de recursos, mas acabou sendo retomada quando o elenco e equipe se mostraram dispostos.


Assim como os filmes anteriores do diretor, Mar Negro está tendo uma ótima recepção em festivais e mostras nacionais e internacionais. Mas sua grande conquista foi conseguir distribuição no circuito comercial. O filme deverá ser lançado em 27 de dezembro deste ano, e por isso mesmo tem a grande responsabilidade de chamar a atenção do grande público para o que é feito no nosso gênero preferido por todo o país, e que não é pouco.

3- Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967)

Esta é uma sequência de À Meia-Noite Levarei a Sua Alma, filme que apresenta o personagem de Zé do Caixão. Ainda obcecado pela criação do filho perfeito, ele sequestra diversas jovens mulheres e faz uma série de provas para encontrar a melhor, torturando cada uma delas.

Zé do Caixão tenta encontrar, num povoado onde é agente funerário, a donzela que lhe dará o filho perfeito, convencido de que a única forma de imortalidade é a do sangue. Com a ajuda do fiel criado Bruno, rapta seis moças do lugarejo, e, enquanto a polícia as procura e o clero tenta apaziguar o povo enfurecido, ele faz o teste do medo: só uma donzela não se aterroriza ante o ataque de tarântulas no meio da noite. Será esta a escolhida? As outras serão entregues à volúpia do criado hediondo de Zé, ou colocadas num poço cheio de cascavéis. Uma das vítimas jura que encarnará no cadáver do sádico. Este põe sua favorita em liberdade e sai em busca de outra donzela. Atrai a seu antro de horrores uma recém-chegada e a mantém sob domínio místico. Com ela terá o seu filho. Durante a noite, Zé tem um pesadelo: a Morte leva-o a um cemitério, onde cadáveres saem das tumbas e o puxam para o inferno. Corredores de gelo, onde homens e mulheres ensanguentados são permanentemente torturados por carrascos do rei das trevas, de quem Zé do Caixão identifica sua própria fisionomia. As suas vítimas aparecem, ameaçadoramente, e Zé acorda. Sua mulher não suportará o parto e sucumbe. Sua esperança de perpetuar seu ser se desvanece, e Zé do Caixão profere blasfêmias contra os homens e suas divindades, no momento em que o povo, revoltado, sai em seu encalço. Depois de escapar de um atentado, Zé penetra num pântano e morre diante do povo e das autoridades, quando os esqueletos de suas vítimas boiam à superfície. Estava cumprido o juramento da donzela que ele sacrificara.


O filme foi censurado na época, pois no filme Zé do Caixão levava vários tiros e, antes de morrer, confirmava sua descrença em Deus dizendo: "Eu não creio. Não creio", enquanto afundava nas águas sujas de um lago. Para o filme ser liberado foi exigida uma mudança no roteiro, e Zé do Caixão passou a dizer o texto imposto pelos censores "Deus… Sim… Deus é a verdade! Eu creio em tua força. Salvai-me! A cruz, cruz, padre…


2- Nervo Craniano Zero (2012)

Uma adaptação para o cinema de um espetáculo teatro de mesmo nome, o filme é de Paulo Biscaia Filho.

A escritora de sucesso Bruna Bloch põe em prática um plano inescrupuloso para evitar que tenha uma crise criativa e saia da lista dos mais vendidos: adquirir um chip indutor de descargas de dopamina que, quando implantado no cérebro humano, gera surtos de inspiração. Para isso, ela contrata os serviços do criador desta invenção, Dr. Bartholomeu Bava, que perdeu sua licença médica após um acidente nas pesquisas para criação do chip. Mas Bruna não quer implantá-lo em si mesma, e sim em uma cobaia humana, a simplória garota Cristi.

Adaptação para o cinema do espetáculo teatro de mesmo nome escrito e dirigido por Paulo Biscaia Filho.
No elenco do filme também está a atriz Uyara Torrente, que ficou conhecida como vocalista d’A Banda Mais Bonita da Cidade.


1- ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008)

Como falar de suspense e terror brasileiro sem falar em José Mojica Marins? É preciso lembrar este ícone do terror, um dos diretores mais criativos e ousados do cinema brasileiro. Este foi seu filme mais recente, finalmente terminando a trilogia do insano Zé do Caixão.

Com orçamento estimado em mais de R$ 1 milhão, mas um fracasso de bilheteria, o filme marca o retorno de Zé do Caixão (José Mojica Marins), libertado após 40 anos preso. De volta às ruas, ele está decidido a cumprir sua missão: encontrar uma mulher que possa gerar seu filho perfeito. Caminhando pela cidade de São Paulo ele enfrenta leis não naturais e crendices populares, deixando um rastro de sangue por onde passa.

Esse é o filme que encerra a trilogia iniciada com À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963), e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967).Encarnação do Demônio teve um orçamento estimado em R$ 1 milhão, captados através de leis de incentivo e é o maior orçamento já administrado por Mojica Marins, que estava há 30 sem dirigir um longa-metragem.

Enquanto não é encontrado pelos inimigos, Zé do Caixão segue seu caminho pela cidade de São Paulo, deixando um rastro de horror e enfrentando leis não naturais e crendices populares.

O filme foi selecionado para ser exibido no Festival de Veneza, em 2008, numa mostra chamada "Midnight Movies".

Foram incluídas cenas em preto e branco dos filmes anteriores de Zé do Caixão ("A Meia Noite Levarei Sua Alma", "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver" e "O Despertar da Besta").