quinta-feira, 12 de maio de 2016

IBRAIM ROBERSON - No Family Geek Brasil - Shopping Grande Rio 2 - Maio 2016


Nos dias 20 e 21 de Maio, o quadrinista Ibraim Roberson estará presente no evento Family Geek Brasil no shopping Grande Rio no Rio de Janeiro, falando um pouco sobre seu trabalho e como chegou ao mercado internacional.

Aqui temos uma pequena entrevista cedida pelo desenhista para o nosso blog:

FAQ com Ibraim Roberson
Qual foi seu primeiro trabalho com quadrinhos?
Meu primeiro trabalho grande com quadrinhos foi o “The Zombie Survival Guide: Recorded Attacks”, escrito pelo mesmo autor de World War Z, Max Brooks. Foi um enorme desafio e me ensinou muitas coisas ao longo de suas quase duzentas páginas, todas desenhadas em preto e branco por mim. Antes disso eu fiz diversos trabalhos para o mercado independente, creio que o primeiro impresso tenha sido para Argo Comics.

Como aprendeu a desenhar?
Eu não cheguei a fazer nenhum curso, terminei aprendendo tudo sozinho e continuo sempre estudando para não limitar minhas possibilidades artísticas. Sempre desenhei por horas e horas consecutivas, isso me mantém em forma para poder assimilar melhor e mais rapidamente novos conhecimentos à medida que tenho a oportunidade.  Ao longo do tempo, tive a chance de estar em contato com alguns artistas muito competentes e de talento ímpar, pelos quais até hoje tenho profunda admiração, gosto muito de escutar as críticas e observar com extrema atenção e foco cada imagem nova que vejo.

Quais os materiais que usa?
Tento aproveitar todos os tipos de materiais possíveis e sempre estou em busca de novas ferramentas, prefiro não me apegar muito a marcas ou materiais específicos demais que possam limitar de alguma maneira a minha produção. Quase sempre opto por materiais de fácil aquisição.
No momento uso os seguintes materiais na minha produção diária:
  • Lapiseiras Pentel 0.3 e 0.7, normalmente com grafites 2B;
  • Lápis Faber Castell H, HB, 2B, 3B e 6B;
  • Canetas Unipin 0.05, 0.1, 0.3 e 0.8;
  • Borracha Tombow Mono Zero 2,3mm;
  • Esfuminhos 1,3 e 5;
  • Pentel Pocket Brush;
  • Papel Sulfite 240g;
  • Nankim Acrilex;
  • Tinta acrílica Acrilex branca.

Quais são suas maiores influências?
Tenho algumas HQs que me marcaram pra sempre, cada uma à sua maneira me fez ver novas possibilidades de finalizar minhas páginas, como WildC.A.T.S. / X-Men - The Golden Age, com a arte do Travis Charest. Akira, de Katsuhiro Otomo me fez enxergar cenários e cenas de ação de uma maneira completamente diferente. Batman - The Dark Knight Returns, de Frank Miller e WE3, de Frank Quitely foram divisores de águas para mim no quesito de narrativa e clima de uma história. Posso citar muitos autores que são e serão sempre referências para mim como o Jim Lee, Neal Adams, Moebius, Juan Gimenez, Barry Windsor-Smith, Marc Silvestri, Adi Granov, Alan Davis, Bryan Hitch, Adam Hughes, a lista é bem grande pois em cada um eu tento procurar inspiração e ares novos. Tive também muitos amigos que me influenciaram, como Leno Carvalho, Felipe Watanabe, Juarez Ricci, Wellington Fiuza, Hugo Leonardo, André B2, Omar Garcia e alguns outros que sempre me apoiaram nessa grande aventura.

Qual o seu processo de trabalho?
Eu normalmente leio o roteiro página por página à medida que vou desenhando, gosto de começar com rascunhos bem pequenos e pouco definidos com no máximo 5x8cm, depois de estar certo da composição da página, defino um layout em uma área um pouco maior, com aproximadamente 10x16cm. Tento definir tudo, expressões, poses, perspectiva, distância dos requadros, etc., então eu imprimo tudo isso com uma tonalidade azul e no formato A3 onde vou utilizar na maior parte do tempo nankim para definir os elementos. Eu não costumo ter a etapa do ‘lápis’, pelo menos não um lápis muito definido. Após terminar a fase do traço a nankim, vou adiante para os tons com grafite e nankim aguado. No final eu digitalizo a página em 300dpi e eventualmente faço algum tipo de limpeza e tratamento.

Qual seu trabalho atual?
No momento estou trabalhando em algumas áreas diferentes, estou escrevendo duas HQs uma chamada ‘Crime 101’ que é desenhada pelo Zurik Gerigk, a outra se chama “How I got this scar”, essa desenhada por mim.
Em 2012 abri o estúdio-atelier-escola ClubComics em Curitiba, nesse espaço eu treino novos artistas para o mercado internacional. Quase todos os participantes do ClubComics já estão atuando no mercado, um dos mais recentes foi o Deivis Goetten, que assinou contrato de trabalho com uma das maiores editoras francesas, a Glénat.
Meu projeto mais recente é um álbum incrível, também com a editora francesa Glénat, esse será meu primeiro trabalho para o mercado da França, o álbum terá 46 páginas e posso garantir que estou produzindo as melhores páginas que já fiz na vida.

Quais dicas para alguém que queira ser um desenhista de quadrinhos?
É um ramo muito exigente e demanda que o artista se dedique com todas as forças que puder. Você tem de estar atualizado sempre e não pode se desanimar com facilidade pois a persistência é o que vai fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso nessa área.
Hoje em dia os quadrinhos permitem que todo o tipo de estilo seja publicado, não existem restrições quanto ao lugar onde você vive ou à sua idade, contanto que você tenha uma mente aberta, responsabilidade, maturidade e saiba encontrar o seu lugar na indústria.
O portifólio de um artista tem de estar sempre atualizado. Não adianta muito apresentar páginas que fez a muitos tempo atrás, tem de mostrar só aquilo que tiver de melhor e mais recente.
É possível conseguir trabalho das maneiras mais distintas, como através dos classificados do www.digitalwebbing.com, ou de eventos de quadrinhos como a Bienal de Quadrinhos de Curitiba, CCXP de São Paulo ou o FIQ de Belo Horizonte. Além de contatos diretos com os editores e caça-talentos como Rickey Purdin que pode ser contatado pelo email rpurdin@marvel.com.
É sempre bom aos artistas que desejam trabalhar com quadrinhos, aprender um pouco da lingua inglesa, isso vai ajudar bastante e dar muita independência além de ampliar as possibilidades de conseguir trabalho no mundo todo.
Ao longo da minha experiência treinando artistas para o mercado internacional, criei uma lista de elementos que considero ser essenciais em páginas de amostra. Essa é a lista básica e a todo o momento pode ser atualizada e aprimorada, porém no momento considero que se o artista conseguir cobrir ao menos esses ítens, suas amostras podem ganhar qualidade.

Elementos importantes para a produção de páginas de amostra
(Esses elementos são apenas sugestões básicas que podem ser aprimoradas)

Figuras:
  • Homens
  • Mulheres
  • Idosos
  • Crianças
  • Variação de Estaturas
  • Variação de Tipos Físicos
  • Variação Étnica
  • Variação de Vestimentas
  • Deficientes Físicos
  • Interação entre as figuras
  • Animais

Emoções:
  • Expressão Facial
  • Expressão Corporal

Cenas de Ação
  • Entre personagens principais e figurantes

Cenas de Diálogos
  • Entre personagens principais e figurantes

Cenários:
  • Ambiente Urbano
  • Ambiente Selvagem
  • Externo
  • Interno
  • Tecnologia
  • Variações de plano (escadas, plataformas, rampas, etc.)
  • Ambientação (sujeira, adornos, utensílios específicos, etc.)

Efeitos Especiais :
  • Explosões
  • Velocidade
  • Poderes
  • Água
  • Raios
  • Movimento
  • Intempéries

Objetos :

  • Armas
  • Comunicação
  • Veículos